domingo, 22 de maio de 2011

ESCOLA DEVE FORMAR ESTUDANTE PARA O AMOR E A BELEZA, diz sociólogo italiano.

Autor de ‘O ócio criativo’ diz que modelo atual forma pessoas tristes. Domenico de Masi vai dar palestras na Feira Educar 2011, em São Paulo.

Em tempos de violência nas escolas e nas universidades, o professor e sociólogo italiano Domenico de Masi diz que a escola deve formar para o amor e a beleza.

Ele acredita que é preciso educar não só para o trabalho, mas também para a vida. De Masi está em São Paulo para participar da feira internacional de educação Educar 2011, no Centro de Exposições Imigrantes. Ele faz palestras nesta sexta-feira (20) e sábado (21).

Pensador-celebridade, Domenico de Masi é pop, gosta do assédio e adora uma polêmica. O pensador diz que muitas escolas estão formando pessoas tristes.

"Se a escola forma só para o trabalho, que ocupa um décimo das nossas vidas, forma para a tristeza, porque o ser humano não vive só para o trabalho. Ele vive também para o estudo, para a aprendizagem, para as amizades, para o amor e para a beleza", conta o pensador Domenico de Masi.

Como tornar a escola mais atraente? “Uma escola atraente é uma escola onde o tempo inteiro se joga, se estuda e se trabalha, tudo ao mesmo tempo. Ou seja, uma escola com muito ócio criativo”, explica De Masi.

“O ócio criativo” é o título do livro de Domenico de maior sucesso no Brasil. Em 300 páginas, ele diz que, além de trabalho e estudo, é preciso tempo livre para estimular a criatividade, a inovação que move o mundo de hoje. Ele mesmo, que já passou dos 70 anos, é puro entusiasmo diante das novidades, como as redes sociais na internet, que compara à invenção da escrita.

"Primeiro, a educação era de poucos para poucos. Depois, de poucos para muitos. Agora, com as redes sociais e as enciclopédias na internet, a educação é de muitos para muitos. Mas a internet não pode ser uma mania. É um instrumento que potencializa todos os outros instrumentos", afirma Domenico de Masi.

Professor da Universidade la Sapienza, de Roma, uma das mais antigas do mundo, Domenico fala sobre o que é fundamental para garantir o bom trabalho do mestre.

"O salário não é o principal fator. Os principais fatores são a cultura e a paixão. Mas o governo não deve aproveitar a paixão do professor para pagar pouco", diz o italiano.

Da terra de Leonardo da Vinci, que dizia "Pobre do aluno que não supera o mestre", Domenico defende investimento forte na escola pública para ver nascer grandes talentos. "A inteligência não está só na classe rica, ela também está na classe pobre.

A escola pública é indispensável para desenvolver a inteligência popular. Não creio que todos sejam Mozart, Beethoven, Dante Alighieri, mas acredito que, dentre tantos, alguns se destacarão", afirma o pensador.

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